Noah Taylor

— Inês, eu simplesmente não sei mais o que fazer. Ninguém quer ficar disponível vinte e quatro horas por dia e nem viajar como eu preciso. E agora? Eu estou perdido.

Digo isso enquanto me deixo cair na cadeira do escritório, passando as mãos pelos cabelos em um gesto automático, carregado de exaustão. O ambiente elegante, silencioso e impecável parece debochar de mim. Nada ali reflete o caos que existe dentro do meu peito.

Frustrado.

Essa é a palavra que melhor me define neste momento.

Totalmente, completamente e incondicionalmente frustrado.

Já entrevistei dezenas de mulheres. Todas dizem achar Olivia uma bebê linda, encantadora, um verdadeiro anjo. E ela é mesmo. Mas sempre existe um porém. Sempre surge uma desculpa. Filhos pequenos, marido, cachorro, gato, papagaio, rotina fixa, medo de viagens, compromissos inadiáveis. Sempre algo que as impede de ficar. Sempre algo que as impede de acompanhar a minha vida.

E eu simplesmente não posso ficar longe da minha filha.

Olivia é a única coisa que me restou do amor da minha vida. Da Olga.

Só de pensar nela, o aperto no peito volta com força. Solto um suspiro pesado, daqueles que parecem vir da alma, aperto a ponte do nariz e levanto os olhos para Inês, minha fiel escudeira. Ela está parada à minha frente, com as mãos cruzadas à frente do corpo, me observando com aquele olhar atento de quem me conhece melhor do que eu mesmo.

Inês foi a primeira pessoa que contratei quando comecei a ganhar dinheiro de verdade. Quando comprei minha primeira cobertura e percebi que não daria conta de tudo sozinho. Com o tempo, ela deixou de ser apenas uma funcionária. Tornou-se família. É como uma mãe para mim. Sempre pronta para ajudar, sempre presente, sempre preocupada.

Infelizmente, seus afazeres domésticos e a idade já não permitem que ela cuide de um bebê tão pequeno. Por mais que quisesse.

— Não tenho outra escolha. Nenhuma agência dessa cidade maldita tem uma babá que atenda ao que eu preciso. Então vou colocar um anúncio no jornal.

Levanto-me da cadeira decidido, coloco uma mão no bolso da calça e, com a outra, pego o porta-retrato que fica sobre a mesa. A foto de Olga sorri para mim, com aquele sorriso que sempre me desarmava. Meu Deus, como eu sentia falta dela. A dor da ausência nunca diminui. Só aprende a se esconder.

— O que você acha, Inês?

— Eu acho, com todo o respeito, que o senhor ficou louco, senhor Noah.

Ela cruza os braços com força e me encara como se fogo pudesse sair de seus olhos a qualquer momento.

— O senhor sabe quanta gente maluca existe nessa cidade? Eu não vou deixar minha menininha com qualquer um. Já vou avisando.

Ela vira o rosto para o lado, emburrada como uma criança contrariada. Não consigo evitar o sorriso que surge nos meus lábios. Caminho até ela, seguro suas mãos com carinho e aperto de leve.

— Inês, olha pra mim.

Ela me encara ainda contrariada. Quem diria que uma mulher tão vivida ainda teria esse tipo de reação. Seguro o riso e tento manter a seriedade.

— Eu vou fazer pessoalmente as entrevistas com todas as candidatas. Vou mandar investigar a vida de cada uma, cada detalhe. E quanto à segurança da Olivia, não se preocupe. A casa inteira terá câmeras funcionando o tempo todo. Ninguém vai machucá-la. Está bom assim?

Ela fungou, desviou o olhar e depois me encarou de canto.

— Eu só quero que tratem ela como ela merece. A pobrezinha já não tem mãe. Eu fico preocupada.

Sua voz sai embargada e meu coração aperta.

— Ela é como se fosse minha netinha. Vocês são tudo que eu tenho.

Passo a mão pelos cabelos dela com carinho, sentindo um nó se formar na garganta. Inês e Olivia também eram tudo o que eu tinha agora.

— E agora, senhorita, vamos conversar sobre você continuar me chamando de senhor Noah.

Levanto uma sobrancelha, tentando parecer bravo. Não consigo sustentar a pose por muito tempo. Seguro-a pela cintura, a levanto do chão e a rodo pelo escritório, rindo como há muito tempo não ria. Levo alguns t***s por isso e constato, entre gargalhadas, que ela ainda era forte demais.

— Menino, me desce!

Coloco-a de volta no chão. Ela ajeita o vestido, passa a mão pela minha barba com carinho e segue em direção à porta do escritório.

Fico sozinho novamente. O riso some aos poucos. Olho para o porta-retrato sobre a mesa e depois para o berço eletrônico no canto da sala, onde Olivia dorme tranquilamente.

Vou precisar confiar em alguém.

Vou precisar trazer uma estranha para dentro da minha casa.

Para dentro da minha vida.

E, sem saber, esse anúncio mudaria tudo.

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